 |
| Cena da peça "Para Acabar com o Julgamento de Deus", interpretada pelos alunos de Teatro da UniverCidade |
“Artaud é infernal: depois que entra na sua vida, não cala mais a boca”. A frase, da professora de Teoria do Teatro da UniverCidade, Thereza Rocha, deu a tônica do encontro que lembrou os 60 anos da morte de Antonin Artaud, ator, poeta, dramaturgo e diretor teatral francês, no Teatro da Unidade Ipanema em junho. Além de Thereza, participaram das mesas-redondas do evento “Antonin Artaud, o teatro e a crueldade, 60 anos depois...” a jornalista formada pela UniverCidade e autora do livro “O Beijo da Morte”, Anna Lee, a professora da PUC-Rio e especialista na obra artaudiana, Ana Kieffer, e o filósofo e professor do curso de Artes Dramáticas da UniverCidade, Jorge Vasconcellos.
Ana Kieffer, que estuda Artaud desde 1996, apresentou a vida e a obra do autor, revelando sua enorme influência até os dias de hoje. Ela explicou que a primeira fase artaudiana, surrealista, é marcada pelo “teatro da crueldade”. Já a segunda fase -- que o escritor desenvolveu nos últimos cinco anos de vida -- tem como principal característica a grande intensidade criativa.
“Artaud é um desses pensadores que carregam a força do maldito. Ele sofria de ausência do espírito e foi um profundo questionador”, disse.
Para Ana Lee, a criação de Artaud provoca inquietações e põe em questão o que é o próprio teatro.
“Há uma força e uma potência nos textos dele que mexem com as pessoas e trazem o questionamento”, revelou Ana.
O segundo debate contou com o encenador e professor do Curso de Direito da UniverCidade, Juan Posada, o escritor e professor André Queiroz, autor do livro “Antonin Artaud, meu próximo...”, e a professora Thereza Rocha, que defendeu em 2001 a dissertação de mestrado na UFRJ “De Artaud a Pina Bausch: a história da invenção de um novo corpo”. A tese de Thereza desenvolve o conceito artaudiano do “corpo sem órgãos”, ou “o corpo reorganizado que uma vez libertado de seus automatismos se abre para dançar ao inverso”. Para o professor Jorge Vasconcellos, mediador do debate, Antonin Artaud entende o “corpo sem órgãos” como a necessidade de criar uma nova função para o corpo.
Também foi apresentado durante o evento o espetáculo "Para acabar com o julgamento de Deus", adaptado por Auterives Maciel e Juan Posada. O texto, originalmente escrito e gravado por Artaud em 1948 para o rádio, nunca chegou a ser transmitido.
Para Juan Posada, a crueldade em Artaud também pode ser entendida no âmbito da cena como um “tornar difícil”.
“Para ele, não há liberdade absoluta, mas uma disciplina rigorosa na qual se pode conquistar algo”, comentou Posada.
Durante os intervalos da apresentação, foram exibidos no saguão do teatro vídeos de Antonin Artaud e performances de alunos de Teatro da UniverCidade, evocando o espírito revolucionário do artista francês.
| Um gênio anárquico |
Antoine Marie Joseph Artaud nasceu em Marselha, França, em 4 de setembro de 1896, e foi um artista multifacetado e anárquico. O poeta, ator, diretor de teatro e dramaturgo, que teve forte ligação com o movimento surrealista, escreveu obras de referência para o teatro, especialmente “Le Théatre et son Double” (O Teatro e seu Duplo), lançando o conceito do “teatro da crueldade”, em que não há distância entre atores e platéia, sendo todos parte de um processo.
Nos anos 30, Artaud foi considerado louco e internado em instituições psiquiátricas, tendo sido submetido a tratamentos de eletrochoque debilitantes. O sofrimento do artista é revelado nas cartas que escreveu para seu médico nos três anos em que permaneceu no hospital psiquiátrico de Rodez.
Em 1946, já em Paris, iniciou uma intensa produção pictórica e literária, incluindo a emissão radiofônica “Pour en finir avec le jugement de dieu“ (Para acabar com o julgamento de Deus). Em 1948, Antonin Artaud foi encontrado morto em seu quarto no hospício do bairro de Ivry-sur-Seine.
|
|
 |
|
 |
| Elenco do espetáculo "Para Acabar com o Julgamento de Deus", de Artaud |
|
Thereza Rocha, professora da UniverCidade, o escritor André Queiroz e Juan Posada, encenador e professor do Curso de Direito da UniverCidade |
 |
|
 |
| Vitor Lemos, coordenador do curso de Teatro, apresenta o evento |
|
Ana Kieffer, especialista na obra artaudiana, o filósofo Jorge Vasconcellos, professor do curso de Artes Dramáticas da UniverCidade, e Anna Lee, jornalista e autora do livro "O Beijo da Morte" |
 |
|
|
| Alunos de Teatro lotaram o Teatro da Cidade para acompanhar a maratona de apresentações e palestras sobre Antonin Artaud |
|
|
|
|