 |
| Fábio Barreto: "é necessário democratizar a cultura no Brasil" |
A participação do cinema nacional no mercado audiovisual
brasileiro é de apenas 11,6%. O dado surpreendente, apresentado
pelo diretor da Ancine (Agência Nacional do Cinema), Mário
Diamante, estimulou o debate na noite de 2 de junho no Teatro da
Cidade sobre a situação atual do cinema brasileiro
e a Lei do Audiovisual, um mecanismo que permite à iniciativa
privada obter renúncia fiscal com o patrocínio de
produções audiovisuais.
Organizado pelos alunos do Curso de Projeto de Comunicação
Corporativa, ministrado pela professora Claudia Carvalho, o evento "Nem
o Oscar entende tanto de cinema" teve, além do diretor da
Ancine, a presença de algumas das figuras mais atuantes do
cinema nacional: as produtoras Paula Lavigne e Paula Barreto, e
o diretor Fábio Barreto.
O diretor da Ancine Mário Diamante revelou que a agência
fomenta a indústria cinematográfica nacional através
do desenvolvimento de ações institucionais nos mercados
externos e do apoio à participação de produtores
brasileiros em festivais de cinema. Ele também forneceu informações
sobre a atual situação da produção brasileira
em um mercado interno dominado pelo cinema americano.
"O público que assistiu em 2007 a produções
nacionais totalizou 10.310.965, contra 78.275.490 de espectadores
de filmes estrangeiros, considerando-se um total de apenas 2.159
salas de cinema espalhadas pelo Brasil", informou Diamante, lembrando
que as três maiores bilheterias do ano passado foram dos filmes "Tropa
de Elite", com 2.417.193 espectadores, "A Grande Família",
com 2.027.385, e "O Primo Basílio", com um público
de 838.726 pessoas.
 |
| A produtora Paula Lavigne lembrou da importância do curso de cinema para o sucesso na profissão |
Paula Lavigne elogiou os esforços da Ancine e também
comentou sobre o célebre episódio da pirataria envolvendo
o filme "Tropa de Elite".
"A distribuição pirata do filme "Tropa de Elite" causou
prejuízos significativos na receita da produção.
Caso as cópias não tivessem sido comercializadas ilegalmente,
o filme teria alcançado uma bilheteria de cerca de seis milhões
de pagantes", afirmou Paula.
Ela concordou com Paula Barreto na declaração de
que, embora ainda limitado, o mercado oferece inúmeras oportunidades
para novos profissionais. As produtoras enfatizaram que o curso
de cinema continua sendo requisito básico para garantir o
sucesso de quem pretende trabalhar na produção audiovisual.
Premiado por filmes como "O Quatrilho" (1995) e "Índia,
a Filha do Sol" (1984), o diretor Fábio Barreto falou a
respeito do Projeto de Lei que
pretende criar o vale-cultura -
nos moldes do vale-transporte e
do vale-refeição -
para facilitar o acesso do público a cinemas, teatros e outras
produções culturais. Segundo o diretor, outra iniciativa
importante e urgente para a democratização da cultura
no Brasil é a criação de salas de cinema populares
em regiões de baixo poder aquisitivo, onde o ingresso custaria
no máximo dois reais.
|