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Novo filme do diretor Paulo Thiago, Orquestra dos Meninos,
tem pré-estréia na UniverCidade
O ator Murilo Rosa conta, ao lado do diretor Paulo Thiago, sobre a experiência de viver no cinema o maestro Mozart Vieira
Nos anos 80, em uma pequena cidade de Pernambuco, Mozart Vieira, um jovem apaixonado por música, conseguiu algo inusitado: formar uma orquestra de sopro só com crianças humildes da região. A história do sucesso do grupo -- e também da ira que a iniciativa provocou nos políticos locais -- chamou a atenção do veterano diretor de cinema Paulo Thiago através de uma matéria publicada em 1995 no jornal O Estado de São Paulo.

Com Orquestra dos Meninos, que teve pré-estréia para os alunos de Cinema da UniverCidade em setembro, Paulo Thiago realiza o sonho de levar ao grande público a trajetória de coragem e determinação de um artista brasileiro.

“Em 2000 procurei o Mozart, na Fundação Música e Vida, sede da orquestra, para saber se ele tinha interesse que o filme fosse feito. Foi muito impressionante ver naquele fim de mundo crianças com sandália de dedo tocando Bach. Mozart Vieira é um ‘pré-Ong’”, brinca o diretor, esclarecendo que os fatos reais aconteceram na pequena São Caetano, em Pernambuco, mas que o filme foi rodado em Sergipe, porque os personagens mais violentos são baseados em pessoas que ainda estão vivas e poderiam ter uma reação violenta.

Thiago participou do debate com os alunos após a exibição do longa em companhia do ator Murilo Rosa, que vive Mozart Vieira no longa, do coordenador do curso de Cinema da UniverCidade, Paulo Marcos de Mendonça Lima, e do professor Wladimir Weltman.

Paulo Thiago revelou que as crianças que interpretam os pequenos músicos formados por Mozart não são atores, e sim meninos e meninas da periferia da região, o que deu ao filme um cunho social similar ao trabalho do maestro na vida real. De 200 candidatos, foram escolhidos 12, alguns dos quais continuaram seus estudos de música depois das filmagens.

Além de Murilo Rosa, os únicos rostos mais conhecidos na tela são os de Priscila Fantin, que vive Creuza -- integrante da orquestra e namorada de Mozart --, e Othon Bastos, no papel do prefeito da cidade e inimigo do maestro. “Quis que o grosso do elenco fosse de nordestinos, para o resultado ficar mais autêntico”, observou ele.

Com 38 anos de carreira, que incluem filmes celebrados como O Vestido (2003) e Jorge, um Brasileiro (1984), o diretor confessou que, embora fosse grande a vontade de contar essa história, achou que estivesse entrando em um projeto muito complicado.

“Usávamos play-back e tínhamos que dar a sensação de que as crianças realmente tocavam os instrumentos, por isso precisei recorrer a um maestro, que as ensinou os movimentos e a respiração corretos. Também contei com a colaboração do Quinteto Villa-Lobos para os arranjos”, explicou Thiago.

A experiência foi tão intensa que, embora já tenha feito outros trabalhos na telona, Murilo Rosa considera Orquestra dos Meninos sua verdadeira estréia cinematográfica.

“Tenho muito orgulho deste filme, por ser uma história verídica e muito séria. Cheguei a recusar uma novela recentemente para estar presente em todas as fases do lançamento”, contou Murilo, lembrando que teve que refletir muito para compor o papel.

“Acho que há dois caminhos para interpretar um personagem autêntico que está vivo: ou você tenta imitar, ou vai pelo caminho da criação, respeitando a pessoa, mas fazendo do seu jeito”, declarou ele, informando ter escolhido a segunda opção.

Orquestra dos Meninos terá estréia nacional no dia 7 de novembro.

 
Murilo Rosa: "esta foi minha verdadeira estréia cinematográfica"   Paulo Thiago e o coordenador do curso de Cinema da UniverCidade, Paulo Marcos de Mendonça Lima
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