"Os profissionais de enfermagem também precisam pensar em abuso sexual", alertou o psicólogo Emerson Bran na palestra sobre o tema "Violência sexual à criança e ao adolescente", promovida pelo curso de Enfermagem da UniverCidade no dia 1º de dezembro, na Unidade Praça Onze. Ele explicou que, até chegar à relação sexual em si, o relacionamento entre a criança e o pedófilo passa por várias fases. "A dinâmica do abuso sexual ocorre de forma gradativa: inicia-se durante a infância e progride até a criança ter uma relação sexual, o que acontece por volta dos 12 anos", conta.
Segundo Bran, a primeira fase é a do aliciamento, quando o abusador adquiri a confiança dos pais e se aproxima da criança. A segunda é o envolvimento, na qual se estabelece a cumplicidade e o segredo. Na terceira, da interação, ocorre a introdução ao contato sexual e, na quarta fase, que Bran chama de "segredo especial", o abusador tem relações sexuais mais violentas com a criança. Por fim, a quinta e última fase é a da revelação da criança, que pode ocorrer acidental ou propositalmente.
Bran explicou aos estudantes da UniverCidade que o profissional de enfermagem precisa ficar atento aos sinais das crianças, que tendem a demonstrar de forma não verbal que foram abusadas, e aos indicadores físicos (algum tipo de DST, infecção urinária, anel himenal alargado, pênis avermelhado ou outro tipo de lesão). "As crianças buscam alguma forma de se expressar, seja evitando aproximação, através de brincadeiras, desenhos, alterações de comportamento, choro, hostilidade ou falta de confiança em si e nos outros".
O psicólogo ainda comentou que os pedófilos aparentam ser pessoas acima de qualquer suspeita, desmistificando que os abusadores sejam loucos de fácil reconhecimento. Segundo ele, essas pessoas sempre têm acesso livre às crianças, podendo estar até mesmo dentro da própria família. "O que poucas pessoas sabem é que também existem mulheres pedófilas. Como profissionais de saúde, vocês precisam ficar atentos e, caso esteja ocorrendo abuso sexual, é necessário procurar o conselho tutelar - órgão público responsável por garantir os direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente - para que sejam protegidas", aconselhou.
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